De onde vem as águas que abastecem Barcelona?

Mapa do abastecimento de água em Barcelona.

Mapa do abastecimento de água em Barcelona.

Roteiro das águas de Barcelona:

Barcelona é uma cidade seca! Aqui quase não chove! Já passamos até 100 dias sem uma gotinha de água. Diferente de outras cidades europeias, aqui não tem nenhum rio cortando Barcelona. Por incrível que pareça nunca faltou água na minha casa e nunca tivemos que racionar este líquido precioso. E por que não falta água?

Comparando os hábitos brasileiros e dos catalães com a água, eu descobri que os catalães são bem mais econômicos com este líquido. Aqui ninguém sai lavando as calçadas com mangueiras e não ficam horas no chuveiro. Talvez estes hábitos mais austeros tenha por explicação o preço da água, bem mais cara que no Brasil. Isto faz a gente pensar duas vezes antes de ficar 20 minutos debaixo do chuveiro.

O problema da falta de água em Barcelona foi solucionado pelos romanos lá pelo ano I D.C com a construção de um aqueduto. Esta engenhoca trazia água lá do Rio Besòs até a entrada da muralha romana, que fica na atual Plaça Nova. Durante a idade média foi construído o Rec Condal, uma estrutura hidráulica que abastecia a cidade de água, movia os moinhos e ainda servia para lavar roupa.

Atualmente a água de Barcelona vem 60% do rio Llobregat, 1% da água dessalinizada do mar mediterrâneo e o resto do rio Besós e do rio Ter. Em 2015 cada morador da Catalunha consumiu 102 litros de água pessoa/dia. Um consumo considerado responsável. E onde eu aprendi tudo isto?

Um belo sábado de outono, eu subi em um ônibus que nos levou por uma rota misteriosa cujo tema era a água. O Bus industrial, como era chamada a atividade, saiu do CaixaForum às 9:30 e eu não sabia muito bem o que me esperava, mas algo podia imaginar.

De onde vem a nossa água?

A nossa primeira parada foi na estação de tratamento de água potável de Sant Joan Despí, que pertence a empresa Aigües de Barcelona. Esta empresa é a responsável por distribuir a água para a área metropolitana de Barcelona. Lá nos explicaram todo o processo de captação de água do rio e de purificação da água.

estacióndeagua

A estação fica ao lado do rio Llobregat, que para a minha surpresa, é um dos rios mais poluído da Europa. Como eu já te contei, é deste rio que vem, quase, toda a água que bebemos em Barcelona. Fique tranquilo! Não existe motivos para entrar em pânico. Desde que cheguei em Barcelona tomo a água da torneira e nunca aconteceu nada comigo.

Rio Llobregat

Rio Llobregat

A visita a esta estação me deixou mais segura sobre a qualidade da água que bebemos e usamos para cozinhar por aqui. Sem querer fazer propaganda, mas a Aigües de Barcelona faz um excelente trabalho de despoluição e desalinização do rio. Talvez você não saiba, mas o Llobregat, além de super poluído, ainda é salgado porque ao longo do seu percurso existem minas de sal. Ah, e no final ainda teve degustação de três tipo diferentes de água! Foi a primeira vez que fiz este tipo de degustação e não imaginava que a água podia ter gostos diferentes.

catadeagua

Nossa segunda parada já era um velho conhecido meu: Museo Agbar de les Aigües. Eu ja tinha visitado o museu e tinha gostado muito. No entanto, a visita do sábado foi diferente e especial.

O museu se encontra em um edifício modernista, construído em 1904, pela Societat General d`Aigües de Barcelona. O edifício foi construído para extrair as águas do rio Llobregat. Eram tempos de industrialização e a água era fundamental para colocar em funcionamento as máquinas. Hoje, o museu conta a história da água em Barcelona desde o tempo dos romanos até hoje, pois ainda tem máquinas funcionando por lá.

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No sábado, como éramos visitantes especiais, as máquinas à vapor, que extraíam as águas lá nos anos 1920, foram ligadas e podemos ver como funcionavam. Claro que agora já não funcionam à vapor e sim com um motor, mas o encanto segue igual. Almoçamos no restaurante do museu e a comida estava divina, muito saborosa e de qualidade.

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Subimos no ônibus e partimos para o nosso terceiro destino secreto. Lá nos esperava o arquiteto municipal Antoni Rovira i Trias, que saído direto do túnel do tempo, nos mostrou a Casa de les Aigües de Montcada i Reixac (1878).

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O arquiteto e o carvoeiro!

O arquiteto e o carvoeiro!

Nesta casa, no final do século XIX e começo do XX, se captavam as águas do Rio Besós que eram distribuidas para Barcelona. De este mesmo ponto partia o aqueduto dos romanos e também o Rec Condal. Nos dias de hoje, em Montcada i Reixac, ainda se extraem as águas do rio Besós para abastecer Barcelona.

Sala das máquinas. As máquinas eram abastecidas com carvão.

Sala das máquinas. As máquinas eram abastecidas com carvão.

A visita foi teatralizada e divertida. Rimos muito com a burguesa “borracha” e com os carvoeiros que se faziam de desentendidos. Passamos por todas as instalações da Casa das águas: sala de controle, sala dos poços e sala de máquinas. Cada sala exaltava a modernidade da Casa de les Aigües e o senhor Antoni Rovira i Trias se mostrava muito orgulhoso do seu trabalho.

Grupo de blogueiros da Bcntb com os atores.

Grupo de blogueiros da Bcntb com os atores.

 O Museu Agbar de les Aigües e a Casa de les Aigües estão abertos a visitação. Recomendo entrar no site dos lugares para saber horários e preços.

A XATIC, rede de Turismo Industrial da Catalunha, é quem organizou o passeio do Bus Industrial que foi gratuito e aberto ao público. Entre na página da XATIC para ficar por dentro das atividades que eles organizam.

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