O Brexit é uma alerta para todos nós!

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O resultado do referendo inglês que decidiu que o Reino Unido deixava a União Europeia pegou todo mundo de supresa. Na noite anterior ao resultado todos fomos dormir confiantes que venceria o Remain, ou o fica. Nos enganamos! Quando acordamos, a Europa estava de cabeça para baixo e todos em choque.

As pessoas que votaram para sair da UE fizeram com o coração e não com a razão. Se deixaram levar pelo medo e pela suposta ameaça que o imigrante representa. Um medo difundido através de discursos políticos mentirosos que disseminam entre a população o odio racial. Frases do tipo: eles roubam nossos empregos, colapção nossa a saúde pública e não se adaptam aos nossos costumes são repetidas como mantra por aqueles que  não querem olhar o outro como um igual. O medo não é versos aos sirios, paquistaneses ou indianos. O medo é contra todos que são de fora e que não compartem a cultura inglesa. Escrevendo isto não posso deixar de lembrar dos Império Romano contra os bárbaros e dos fascistas e nazistas contra judeus, negros e gay.

O Brexit é um alerta, não só para os ingleses, mas para todos nós. A Europa, desde 2008, sofre uma crise econômica profunda que fez com que os europeus perdessem uma condição financeira e social que jamais imaginavam perder. A crise os colocou no mesmo patamar dos imigrantes e antes o que era um trabalho de segunda ou terceira categoria, executável somente pelos imigrantes, passou a ser desejado pelos europeus de primeira.

O resultado do referendo inglês expõe nas nossas caras o que está acontecendo na Europa: um retrocesso descarado e que muitos fingiam não ver. A Europa, e o mundo porque não?, está cada vez mais conservadora, preconceituosa e radical. As pessoas não aceitam mais os outros como são e fazem questão de dizer que não os aceitam. Cada dia que passa me surpreendo com o que as pessoas são capazes de dizer em relação ao imigrante, aos gays ou mesmo sobre as mulheres. O pior de tudo isto não é escutar o que as pessoa falam e sim perceber que os conservadores estão ganhando força em diferentes país do mundo: Brasil, Reino Unido, Espanha. Só para citar alguns.

Este referendo também evidencia uma outra característica do ser humano: a falta de memória. Quando os ingleses votaram por sair da UE, com base no medo a imigração, eles se esqueceram ou, preferiam, esquecer que também são imigrantes. Por sorte, os ingleses não imigram porque falta trabalho no Reino Unido, mas sim porque falta sol, falta alegria, falta calor. O sul da Espanha está lotado de cidades cuja 80% da população é formada por ingleses e outros cidadãos do Reino Unido. Muitos são aposentados que depois de trabalhar muito na UK decidem comprar uma casa na Andaluzia para disfrutar do sol e da praia o ano inteiro. Estes cidadão usam a saúde pública espanhola, enquanto seus filhos e netos estudam nas escolas públicas da Espanha. Em Barcelona a comunidade inglesa é enorme, muitos são jovens e que vem aqui para trabalhar e usufruir de uma vida feliz e cheia de sol. Todos estes cidadão do Reino Unido vivem aqui porque faziam parte da UE. E agora? O que vai acontecer com estes imigrantes que foram esquecidos quando seus conterrâneos foram as urnas? E aqui eles não colapção a saúde pública espanhola como fazem os imigrantes no Reino Unido?

Estes texto ficou parado durante o final de semana. Hoje, segunda-feira 27 de junho, volto a escrever. Desta vez não quero falar do Brexit e sim da Espanha. Hoje a Espanha acordou desconcertada e em choque. Domingo teve eleições, para o senado, câmara dos deputados e presidência, pela segunda vez. E pela segunda vez quem ganhou foi o partido de direita, conservador e xenófobo: PP. Ontem as pessoas foram as urnas acreditando que uma Espanha diferente ia surgir desta segunda eleição. Acreditavam que, finalmente, a ideia de mudança e não o retrocesso e conservadorismo ia vencer. Não foi isto que aconteceu e de novo a Espanha fascista, xenófoba e conservadora ganhou. Uma vez mais, o rancio do franquismo e daqueles que querem que nada mude saíram vitoriosos. Mais uma vez, Catalunha e País Vasco se mostraram em desacordo com o resto da Espanha. Mais uma vez, na Catalunha os partidos independentistas ganharam força. Aqui também, como na Inglaterra, o resultado não é a vitória de um partido ou do sim, é a vitória da desunião, da desintegração e do xenofobismo. Sentimentos e questões que ficaram de herança depois do referendo e das eleições espanholas. Ou será que isto nunca foi embora e a gente é que fingia não ver. A Europa volta a ser invadida por uma onda racista e conservadora como em em 1933. Eu tenho medo do futuro porque, aos meus olhos, os discursos não mudaram só mudaram de roupa. É hora de estar alerta.

 

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