Cardona, estandarte da liberdade!

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Em 1714, os catalães lutaram contra as tropas de Felipe de Bourbon para defender sua independencia e o seus direitos políticos. Barcelona capitulou no dia 11 de setembro do mesmo ano, enquanto Cardona seguia defendendo, do alto do seu castelo, o sonho da liberdade. O rei venceu, assumiu o trono da Espanha, e Cardona foi obrigada a render-se no dia 18 de setembro de 1714.

Esta história chegou aos meus ouvidos e pensei que precisa conhecer a cidade inexpugnável, como é conhecida. A primeira imagem que vi de Cardona foi do seu castelo, no alto da montanha, isolado, imponente, mostrando ao mundo e aos inimigos que ali ninguém passará e que os sonhos de liberdade estarão protegidos. Me comovi, enchi os olhos de lágrimas e me entreguei a história.

História:

Cardona, durante a idade média, foi uma das cidades mais importantes da Catalunha por sua posição geográfica e econômica. Localizada na comarca de Bages, em uma encruzilhada de caminhos, servia como uma muralha entre o mundo católico e muçulmano, impedido os mouros de avançarem sobre Catalunha.

A cidade foi a princípio um condado, depois um vizcondado e finalmente um ducado. Os condes-duques de Cardona chegaram a ter mais poder que o rei da coroa de Aragão, ao qual estavam submetidos por vassalagem. Eles eram conhecidos como os “reis sem coroa”, pelo poder, pela riqueza e pelo parentesco com as principais famílias europeias.  Todo este poder foi graças a extração de sal, conhecido como o ouro branco da idade média.

Foi o conde Borrel II, no século X, quem concedeu a Cardona a Carta de Cidade, permitindo a exploração do sal e a formação de um povoado. Aos pés do castelo a cidade medieval foi crescendo e se expandindo. Com o passar do tempo Cardona perdeu importância e população. No final do século XIX voltou a crescer com a industrial textil, que decaiu depois da Primeira Guerra Mundial. A cidade voltou ao seu esplendor, quando em 1912, na montanha de sal, foi encontrado potasio.

O que ver:

Castelo de Cardona:

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Construído no alto da montanha, para defender a montanha de sal, tinha uma visão privilegiada da região. O castelo foi, desde o século XI ao XV, a residência dos condes-duques de Cardona. O recinto está dividido entre o pavilhão senhorial e da canónica de São Vicente. Destacando a Torre da Minyona (menina em catalão), o pátio Ducal, os baluartes de defensa e a linda vista sobre o Vale Salino.

A torre da Minyona tem uma altura de 13 metros e uma base de 10 metro de diámetro. Diz a lenda, que foi nesta torre que a filha mais nova do Duque de Cardona foi trancada a pão e água. Durante uma festa no Castelo, a jovem se apaixonou pelo príncipe mouro Abdalà, colocando em perigo a defesa da Catalunha. Ao descobrir o romance, o Duque trancou a filha na torre e declarou guerra ao príncipe. Depois de anos, o duque decidiu libertar a filha, no entanto, ao chegar a torre, a jovem havia morrido de amor. Na parede, encontrou uma cruz, feita com arranhões, simbolizando que o amor pelo mouro não a tinha feito renunciar a fé católica. Atualmente, do alto da torre, temos uma vista privilegia da região e podemos observa a beleza do vale de sal.

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No pátio do Duque se encontra a entrada principal do castelo que leva para os quartos dos nobres e para o salão principal. Na parede vemos uma canaleta, por onde os duques recebiam água limpa e quente para o banho e outros aseos. Esta canaleta, que para nós parece algo inusitado, era um símbolo de poder e riqueza do duque de Cardona.

Militarmente o castelo de Cardona é um excelente exemplo de engenharia militar, cuja fortificação foi evoluindo ao longo do tempo e se tornou inexpugnável. Seus baluartes impediram a entrada das tropas de Felipe V no recinto e fizeram da cidade um mito da guerra de sucessão de 1714.

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O Castelo é um parador nacional, um hotel em um lugar histórico, onde os hospedes podem disfrutar a comodidade de um hotel 5 estrelas em um ambiente único. O conjunto monumental do castelo é monumento nacional do estado desde 1949. Em 2017, o Castelo de Cardona foi eleito o monumento preferido dos catalães. Eu estou de acordo com os catalães, o castelo é lindo, imponente e cheio de história.

Canónica de São Vicente:

Junto aos aposentos do Duque foi construído um claustro e uma igreja de estilo românico lombardo. A igreja foi consagrada entre os anos de 1029 e 1040. Seu interior é impressionate, com uma altura jamais vista para o estilo. Chama atenção o balcão onde os duques se instalavam para escutar a missa e a cripta debaixo do altar. A austeridade da igreja contrastas com a iluminação natural que entra pela ventanas.

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A beleza desta construção atraiu o diretor norteamericano Orson Welles, que gravou no seu interior “Badaladas da meia noite”. A Academia de Cinema Europeu declarou, em 2016, a igreja de San Vicente como o “tesouro da Cultura Cinematográfica Europeia”. O lugar é o primeiro a receber este título na Espanha e o oitava da Europa.

A foto não ficou muito boa. Ela foi tirada do balcão onde os duques participavam da missa e da para ter uma ideia da altura da igreja.

A foto não ficou muito boa. Ela foi tirada do balcão onde os duques participavam da missa e da para ter uma ideia da altura da igreja.

Entre os aposentos do duque e a igreja, estava o claustro. A construção está pouco conservada, mas é um interessante exemplar de construção religiosa medieval. O claustro servia como uma divisão entre o mundo religioso e político do castelo, que conviviam em harmonia. Nas colunas da construção podemos ver a flor de cardamomo, o símbolo do Ducado.

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Eu super recomendo visitar o castelo com a visita guiada oferecida pela secretaria de turismo de Cardona. Participando da visita podemos entrar na igreja e também saber mais sobre as histórias do lugar.

Montanha de Sal:

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Depois do castelo, seguramente, é a atração mais impressionante de Cardona. A montanha se eleva na cidade como se fosse um ser mágico, cuja população entrega cada dia oferendas. Se formos pensar, a montanha é a verdadeira senhora de Cardona. Foi por causa dela que a cidade ganhou importância na idade média, que os duques se enriqueceram. Hoje é ela quem atrai milhares de turistas a região.

O sal de Cardona foi explorado pelos homens pré-históricos, pelos romanos, pelos medievais e seguiu até os anos de 1990 quando a mina foi fechada. Ao princípio a exploração era feita na superfície da montanha, a céu aberto. Tudo mudou, quando em 1900 foi encontrado uma mina de potasio e a exploração passou a ser interna. Dentro existem três tipos de sal: para cozinhar, para fazer remédios e fertilizantes e um terceiro para explosivos. É possível ver cada um destes sais nas paredes da montanha, pois cada um tem uma cor diferente. O branco que vemos na foto é para cozinhar, o vermelho para explosivos.

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Eu fiz uma visita guia pela montanha e recomendo muito. A guia nos explicou como era a vida dos mineiros dentro da montanha, qual era a utilidade do sal de Cardona e nos levou para passear por diferentes recintos da montanha. Nunca tinha entrado em um montanha de sal, que é um fenômeno geológico bem raro. Eu adorei a experiência.

Centro Histórico:

O centro histórico de Cardona corresponde a antiga vila medieval amuralhada. Sua origem remonta a feira que era organizada aos pés do castelo e da montanha. A parte antiga é pequena, mas uma gracinha. Caminhar por suas ruas é voltar no tempo e se transportar a idade média.

Capela Sant Miguel

Capela Sant Miguel

Destaco a parroquia de São Miguel, que era o patrono dos mercadores. A capela de Santa Eulália, que fica em um ponto de interseção entre os três antigos caminhos que levavam a Cardona. Durante muito tempo a praça onde está esta capela foi a principal da cidade ao seu redor a cidade foi crescendo. Com o tempo a praça perdeu o protagonismo e os edifícios públicos foram para praça do mercado ou da feira.

Capela de Santa Eulália

Capela de Santa Eulália

A secretária de turismo de Cardona oferece um passeio guiado pelo centro histórico. Eu não pude fazer porque já estava tarde e tinha que voltar a Barcelona. Tenho certeza que neste passeio você vai saber mais sobre a cidade e sua história.

Uma ruazinha de Cardona

Uma ruazinha medieval de Cardona

O que eu achei de Cardona:

Eu amei conhecer Cardona, o castelo e a montanha de sal. E impressionante como o castelo se impõem diante de nossos olhos e como somos atraídos para ele com o desejo de saber mais sobre sua história e construção. Fiquei supreendida em saber da riqueza e poder que o sal trouxe para o duque e também para a cidade. Amei saber mais sobre o papel de Cardona durante a guerra de 1714 e como a cidade é uma estandarte da liberdade da Catalunha.  Quem ama história não pode deixar de visitar Cardona.

Agradeço a Als Barcelona Emotional Espaces por facilitar a minha visita a Cardona e me convidar as visitas guiadas. Eu amei tudo e minha opinião é super sincera. 

Como chegar:

Cardona fica a 1h e 40 minutos de Barcelona. A melhor forma de chegar é de carro. A empresa Alsa tem um ônibus que passa por Cardona, linha Barcelona-Andorra, com 4 saídas diárias. Infelizmente não tem trem direto para lá. Com trem é possível ir até Manresa, cidade vizinha, e depois pegar um ônibus até Cardona.

Organizando os passeios:

No site Cardona Turisme você encontra os horários das visitas, os valores e pode comprar o ingressos antecipados.

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