Escondidos debaixo da terra: refúgios da guerra civil espanhola

Foto de Barcelona sendo bombardeada.

Foto de Barcelona sendo bombardeada.

Pela manhã cedo o som dos aviões da Aviazione Legionaria italiana se faziam ouvir em Barcelona. Em 1938, dois anos depois do início da Guerra Civil Espanhola (1036-1939), as pessoas já sabiam que este som significava morte e destruição.

Desde 1937, os aviões italianos e alemães bombardeavam as cidades republicanas da Espanha. Hitler e Mussolini tinham se aliado a Franco contra o governo legítimo da República e não poupavam esforços para tirá-lo do poder. A violência e as atrocidades iam em aumento a cada ano de guerra e a população civil era atacada sistematicamente e indiscriminadamente pelos aviões alemães e italianos.

Durante a guerra novos armamentos foram colocados em teste pelos aliados de Franco. Hitler e Mussolini viram no conflito espanhol a oportunidade perfeita para testar os aviões e as bombas de fusível atrasado, concebidas para atravessar telhados e explodir dentro das casas e prédios.

Em 1936, a guerra tinha se deslocado das trincheiras para dentro das cidades e estas não estavam despreparadas para os ataques aéreos. Barcelona, por exemplo, não tinha quase artilharia anti-aérea e nem radares. Aliás estes últimos nem tinham sido inventado. .

Enfermaria do refugio 307. As paredes eram de cal por higiene.

Enfermaria do refugio 307. As paredes eram de cal por higiene.

Era preciso proteger a população dos ataques massivos do aviões. A Junta de Defesa Pasiva da Generalitat pediu a Ramon Perera, um jovens engenheiro, que desenvolvesse um sistema de proteção. Ramon decidiu que o melhor era construir refúgios a uns quantos metros abaixo da terra. Assim, a população começou a construir estes refúgios em diferentes bairros da cidade. Os homens cavam enquanto mulheres e crianças retiravam a terra do interior.

Se construíu mais de 1300 refúgios oficiais, fora os que foram construído por conta própria. Os refúgios estavam construído com um teto em arco e com corredores em zig-zag para proteger os refugiados da onda expansiva das bombas.

Refugio 307

Refugio 307

Quando tocava a sirene, avisando dos bombardeios, as pessoas tinham apenas 2 minutos para se dirigirem aos refúgios. Dona Maria, de 92 anos, que conheci neste verão me contou que ela e a família se protegiam das bombas debaixo da cama. Quando perguntei por que não iam aos refúgios, me falou que ficavam longe de casa.

Estava proibido levar para os refúgios comidas, bebidas ou bagagens volumosas. Dentro dos abrigos tinha enfermaria, cozinha e fonte de água. A população que se refugiava nestes abrigos era formada, principalmente, por velhos, mulheres e crianças. Pois os homens estavam na guerra.

Entrada para os banheiros do refugio 307

Entrada para os banheiros do refugio 307

Faz alguns anos que os refúgios antiaéreos de Barcelona se tornaram espaços de memória da Guerra Civil Espanhola. Alguns estão abertos a visitação e através dos seus corredores e paredes sabemos mais sobre o dia a dia dos barceloneses durante a guerra civil. Um conflito que poucos conhecem a dimensão e que foi um dos mais cruéis da história do século XX. Ainda hoje as sequelas desta guerra estão presentes na sociedade espanhola.

MUHBA Refugi 307:

refugio307

É um dos refúgios mais bem conservados de Barcelona. Está no bairro do Poble Sec, aos pés do Montjuïc. Foi escavado graças aos moradores do bairro e tem, aproximadamente, 400 metros de túneis e 2,10 metros de altura e entre 1,5 e 2 metros de largura. Está composto por uma enfermaria, cozinha, banheiro, fonte de água e sala para crianças.

O lugar é úmido e frio. Isto me faz pensar no sofrimento e no medo que sentiam as pessoas que estavam lá refugiadas. No lado de fora o barulho dos aviões e das bombas e dentro o frio da montanha, o choro das crianças e a dúvida de que se os que ficaram de fora se salvarão.

O refúgio 307 tinha capacidade para 2000 pessoas, que se sentavam em bancos de madeira esperando o fim dos ataques.

O bairro de Poble Sec foi um dos mais atacados pelos aviões de Mussolini durante a guerra civil por ser um bairro de operários e de fábricas, principais alvos do conflito.

O refúgio pode se visitado nos domingos. É preciso reserva a visita no site do museu. Clique aqui para reservar.

10:30 visita comentada em inglês

11:30 visita comentada em castelhano

12:30 visita comentada em catalão

Preço: 3,50

Endereço: C/ Nou de la Rambla, 175

Refúgio Plaza Diamante

A entrada do refugio fica perto desta estátua.

A entrada do refugio fica perto desta estátua.

Este refúgio está no bairro de Gràcia, na praça Diamante, e foi descoberto em 1992 por causa de uma obra. Está aberto a visitação desde 2006. Este refúgio é menor que o anterior, com uma capacidade para um pouco mais de 200 pessoas. Está construído a 12 metros abaixo da terra.

O refugio tinha bancos de pedra, estava iluminado por velas e tem uns 250 metros de túneis. A maioria dos refugiados da plaza Diamante eram trabalhadores e operários das inúmeras fábricas do bairro.

Visita às 11h nos domingos.

1º, 3º, 4º e 5º domingo do mês visitas em catalão

2º domingo do mês visita em castelhano

Para visita em inglês pedir informação no site Taller de História de Gràcia.

Preço: 3 euros

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  1. 2 meses ago

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