Etapas do caminho de Santiago português da costa em bicicleta

á faz quase 1 ano que fiz o caminho português da costa em bicicleta até Santiago de Compostela. Posso garantir que é uma experiência única e inesquecível. Fizemos o caminho em 5 etapas, ou seja, em 5 dias. Percorremos mais de 240 km pelo litoral português e espanhol e agora vou contar um pouco como foram as etapas.

Já contei, em outro post, sobre a preparação para fazer o caminho em bicicleta. Entre aqui para saber mais.

Etapa 1: Do Porto a Marinhas

porto

Começamos o caminho na catedral do Porto. Ali pegamos nosso primeiro carimbo, rezamos e partimos. Esta etapa vai por dentro das cidades e tem uma parte que vamos junto ao mar. Foi junto ao mar que vi a primeira flecha amarela, depois de sair da catedral do Porto, e me emocionei. Pelo caminho encontramos muitos senhores sentados olhando a vida passar e senhoras vestidas de preto. Passamos por muitas plantações de couve. Deu até vontade de roubar algumas. rs!

Esta etapa é bem tranquila, tanto para quem vai em bike como a pé. É um trecho bem plano. Uma vantagem para quem vai em bicicleta.

Nossa parada para dormir foi em Marinhas, no albergue San Miguel. Um albergue gestionado pela Cruz Vermelha, com dois quartos e muitas camas. Eles tem lençóis, travesseiros e também mantas. Ficamos em um quarto com duas italianas. Este albergue não tem um preço fixo, você deixa uma doação. A cidade de Marinhas é pequena e como era segunda-feira não conseguimos nenhum restaurante para jantar. Compramos umas comidas de lata, em um mercadinho, e esquentamos na cozinha do albergue.

Quilômetros percorridos: +/- 50 km

Etapa 2: Marinhas a Mougás

Saímos do albergue umas 9h, fomos os últimos e deixamos as chaves no hospital da Cruz Vermelha. Eu achei esta etapa muito tranquila. Andamos bastante pela estrada, junto com os carros. É uma etapa sem subidas. Achei mal indicada e quase não vimos flechas amarelas.

Viana do Castelo

Viana do Castelo

Neste dia passamos por Viana do Castelo. A chegada na cidade é muito linda, através de uma ponte, de onde se vê a igreja na montanha. Aqui paramos para tomar um café e comprar algumas coisas em uma loja de chinês. Acho que em Viana foi onde tomamos a café mais barato de toda a viagem. Viana também tem um forte impressionante que vimos ao sair da cidade.

O caminho entre Viana do Castelo e Caminha é muito lindo e bem fácil. Vamos junto ao mar e depois junto ao rio Minho. Em caminha paramos para comer. Comemos super bem e super barato. Por 5 euros, cada um, comemos peixe, carne de porco, pão, salada, água e vinho. Tudo bem farto!

comida

De caminha passamos A Guarda, na Galicia – Espanha. A travessia é feita com um ferry, que custa uns 3 euros. Viagem curta, mas bonita. Nesta travessia encontramos outros peregrinos. Logo quando chegamos em A Guarda fomos recebidos por uma senhora, que nos levou a um “posto de fronteira” para receber o carimbo. A gente pegou dois carimbos neste dia: um no restaurante e outro neste posto.

ferry_caminha

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O caminho até A Guarda é lindo demais. Fomos pela estrada, seguindo o rio e depois o mar atlântico. Foi só entrar na Galicia que já começou a chuviscar. Não tinhamos pegado nem uma gota de chuva até então. Mas a chuva foi fraquinha e pouca. Neste trajeto já tem um pouco de subida, de nível leve.

Chegamos a Mougás no final do dia. Nos hospedamos no albergue turístico Aguncheiro, que é particular. Pagamos 25 euros por um quarto individual, com banheiro e uma vista linda. Nossa chegada coincidiu com o pôr do sol. Jantamos no bar do albergue, onde conhecemos 4 senhores catalães que já eram veteranos no caminho de Santiago.

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Quilômetros percorridos: +/- 74 km

Etapa 3: Mougás a Redondella

Subida pelo bosque

Subida pelo bosque

Este foi o dia mais difícil para mim e também o mais bonito. Saímos às 9h da manhã pela estrada e logo entramos em um porteira. Fomos subindo entre casas, por ruas estreitas, até que encontramos outra porteira que nos levou pelo meio de um bosque. Tivemos que empurrar as bicicletas porque era impossível pedalar. A subida era inclinada e com muitas pedras, mas curti muito pois a vista era incrível. A descida também foi bonita e perfeita para as montbikes. Nesta descida furei o pneu.

flecha-caminho

Chegamos em Baiona, onde paramos para tomar um café, comer os shanduíches que tinhamos e trocar o pneu. Terminado fomos em direção a Ramallosa. A partir de Ramallosa tem uma subida de 160 m. Para mim foi pesado e tive que empurrar a bike porque não estava preparada fisicamente. Também neste dia tive uma queda, por pura burrice, e comecei a sentir dor  no joelho.

Ramallosa e sua linda ponte românica.

Ramallosa e sua linda ponte românica.

Em Vigo paramos para almoçar. Cheguei em Vigo super cansada, porque o caminho é bem intenso. Mais uma vez comemos super bem e barato. Demos uma volta pela parte antiga de Vigo, que é super gracinha. Aproveitamos para ir a Decatlhon, pois precisei comprar uma compressa para o joelho. Seguimos para Redondela.

De Vigo a Redondela também tem subida, mas não sofri tanto como a primeira. Era menos inclinada e menos continua. Tudo que sobe tem que descer e de Vigo a Redondela tem uma super descida junto aos carros e com uma paisagem linda. Aqui passamos pelas Rías Baixas, onde o mar entra pelo rio ladeado por montanhas. É impressionate. Ali é onde se cultivam os melhores mejilhões da Galicia. Pena que não deu para fazer fotos.

Em Redondela nos hospedamos no albergue de peregrinos Casa da Torre. Um albergue-biblioteca construido na muralha medieval. Aqui se paga 6 euros por pessoa e o albergue é controlado pela prefeitura. Estava bem cheio e dormimos com muitos peregrinos. Aqui pude lavar um pouco de roupa, pois tinha máquina de lavar e secar. O albergue era limpo, mas a cozinha bem ruim. Não tinha nada de utensílios domésticos.

Albergue Casa da Torre

Albergue Casa da Torre

Quilômetros percorridos: +/- 44 km

Etapa 4: Redondela a Hebrón

Como todos os dias, fomos os últimos a sair do albergue. Desta vez coincidimos com muitos peregrinos pelo caminho e também com um peregrino de bicicleta. Foi a primeira vez que encontramos um peregrino em bicicleta.

conchas-caminho-santiago

O caminho de Redondela a Pontevedra é lindo. Fomos pelo meio de um bosque com subidas e descidas. Não achei a etapa pesada. Mas teve um subida por uma rua, antes de chegar no bosque, que foi bem intensa. Eu não consegui subir pedalando.

caminho-santiago-portugues

Paramos em Pontevedra para tomar um café e curtir um pouco da cidade, com um centro antigo medieval. De Pontevedra seguimos caminho e paramos para almoçar em um cidade, que não lembro o nome. rs! Ali demoramos mais do esperado porque o atendimento no restaurante era muito lendo.

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Café em Pondevedra

 

pontevedra

Pontevedra

Seguimos caminho até Hebrón passando por lugares bem rurais. Galicia é famosa por suas castanhas e encontrei muitas pelo chão. Eu trouxe 1 dúzia para Barcelona e eram deliciosas. Em Hebrón durmimos no albergue de peregrinos mais legal e lindo do caminho, o hospital de peregrinos de Hebrón ou albergue convento de Santo Antonio de Hebrón. O albergue está a 2,7 km do caminho, então você tem que desviar, e está sinalizado por flechas vermelhas. Vale muito a pena o desvio.

Rio Ulla no caminho para o albergue do convento.

Rio Ulla no caminho para o albergue do convento.

O albergue é gestionado por voluntário, que mudam ao longo dos meses. Ele está dentro do convento de Santo Antonio, que tem menos de 10 padres. Nos fomos recebidos por duas senhoras super amáveis e também por um dos padres, que nos levou para fazer um tour pelo convento. Teve missa do peregrino, mas não assistimos porque precisamos tomar banho e nos acomodar. Neste albergue te oferecem jantar e café da manhã, um ótimo momento para confraternizar com outros peregrinos. Na noite que estivemos lá teve até festinha de aniversário.

Só tem um quarto, com vários beliches, lençóis, travesseiros e mantas. Lá faz muito frio e é super húmido. Aqui acordamos todos juntos porque todo mundo tem que sair na mesma hora. Eles acordam a gente com uma música suave. É um despertar muito agradável. O valor a pagar é voluntário, ou seja, você deixa quanto quiser.

Igreja do convento

Igreja do convento

Quilômetros percorridos: +/- 55 km

Etapa 5: Hebrón – Santiago

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Este dia saímos cedo, pois todos tinham que estar fora do albergue às 8h. Pelo caminho ainda estava escuro e com muita névoa. A paisagem era bastante bucólica. Passamos por Padrón e também por Iria Flavia, um antiga cidade romana pequena e bonita. Fomos pela estrada, enquanto os peregrinos a pé se adentraram pelo interior. Este trecho tem muitas vinhas e muitos desvios, por conta do tempo preferimos ir pela estrada. Uma estrada, que em alguns trechos, era movimentada.

Esta foi a etapa mais curta do nosso caminho, um pouco mais de 20 km. Tem uma subida, de nível leve, e uma boa descida. Meu pneu furou nesta descida a poucos metros da entrada de Santiago. Tivemos que parar para trocar o pneu e então seguimos viagem.

Chegamos em Santiago pela manhã. Para mim o momento mais emocionante foi na estrada quando li a placa: Santiago de Compostela. Neste momento sabia que tinha chegado, que todo o esforço e sofrimento estava no fim, e que só faltava poucos quilômetros para chegar diante da igreja. Muitos peregrinos dizem que chegar a igreja é emocionante, mas que ver a placa na estrada é mais ainda.

Para chegar à igreja tem uma subida. Eu fui com calma… disfrutando de cada pedalada, do olhar das pessoas e do sentimento de vitória. Chegar diante da igreja é lindo, vamos passando por ruas medievais, entre turistas e peregrinos, quando, de repente, a igreja aparece diante dos nossos olhos. Dou as últimas pedaladas para me posicionar diante dela, solto a bicicleta, me deito e agradeço. Ali fico durante horas, sem vontade de sair. Sentido o momento da chegada, vendo outros peregrinos chegarem. O ambiente é de alegria, satisfação, superação, cansaço. Chegam outros peregrinos ciclistas, nos juntamos a eles, conversamos, fazemos fotos e deitamos de novo no chão. Um ritual que se repete a cada chegada de peregrino.

biciperegrinos

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Depois de superar o êxtase da chegada, nos dirigimos a empresa de transporte para deixar as bicicletas. Uma boa caminhada até lá e uma correria para chegar antes da hora de fechar. Depois de deixar as bicicletas fomos a oficina do peregrino para pegar o nosso certificado, almoçamos, passeamos um pouco mais pela cidade, voltamos para diante da catedral, jantamos e fomos para o aeroporto. O caminha tinha chegado ao final.

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Quilômetros percorridos: +/- 20 km

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