O modernismo de Josep Jujol pertinho de Barcelona

Em junho eu fiz uma proposta ao Consorci de Turisme del Baix Llobregat ir de Barcelona a Sant Joan Despí em bicicleta para ver as obras de Josep Jujol. As “chicas” toparam na hora e me prepararam um rota em bicicleta saindo da Diagonal até a Can Negre e a fábrica de cerâmica La Rajoleta. Peguei a montbike do meu cunhado, coloquei a água na mochila, e lá fui eu pedalar junto com o meu marido até o Sant Joan Despí em busca de novas histórias do modernismo catalão. A rota era dura, com muitas subidas, mas eu consegui superar o desafio e tive fôlego para me admirar com o que vi. Agradeço ao Consorci de Turisme del Baix Llobregat pela organização deste passeio.

Josep Maria Jujol

Jujol nasceu em 1879 na cidade de Tarragona, se formou em arquitetura em 1906, e foi um dos principais colaboradores de Antonio Gaudí. Podemos dizer que foi mais que um colaborador, foi um amigo e, inclusive, viveu com Gaudí na Sagrada Família. Jujol trabalho na reforma da Casa Batlló, na La Pedrera, no Park Güell. Alías, quando Gaudí brigou com o sr. Milá e abandonou a obra da La Pedrera, foi Jujol quem seguiu com o projeto em nome de Gaudí. E todo o trabalho de trencadís que vemos nos bancos do Park Güell foi obra de Jujol. Por isto, também vamos ver o trencadís e mosaico nas casas construídas por Jujol em Sant Joan Despí.

Banco de trencadís Can Negre

Banco de trencadís Can Negre

Chaminé de mosaico Torre de la Creu.

Chaminé de mosaico Torre de la Creu.

As obras de Jujol tem como característica marcante a natureza, formas assimétricas, uso de material reciclado e de trencadís. Com Gaudí, Jujol era muito religioso e devota de Maria, por isto, em sua obra também vamos ver elementos religiosos. Ao olhar para as casas construídas por Jujol vemos refletido as características das obras de Gaudí, o que mostra a total sintonia entre o discípulo e o mestre. Sant Joan Despí conta com muitas obras de Josep Maria Jujol, principalmente, porque ele vai ser o arquiteto municipal da cidade nos últimos 20 anos da sua vida.

Assinatura do Jujol com a data de 1923. Data em que fez a decoração interna da casa. A data de 1991 é da reforma feita pela prefeitura.

Assinatura do Jujol com a data de 1923. Data em que fez a decoração interna da casa. A data de 1991 é da reforma feita pela prefeitura.

Can Negre

 

Nossa primeira parada foi a Can Negre, uma antiga masía (casa de campo do XVII) reformada por Jujol entre 1915 e 1917 de propriedade de Pere Negre i Jover. Jujol foi contratado para reformar a masía depois de Pere Negre viu a casa de veraneio que o jovem arquiteto estava construindo para a sua tia (Torre de la Creu). O objetivo do projeto era transforma uma casa de camponês em uma residência aristocrática. A reforma foi feita em várias etapas, conforme se vendia o vinho produzido com a uva plantada ao redor da masía. A casa foi se deteriorando ao longo dos anos e em 1966 passou as mão da prefeitura de Sant Joan Despí. A casa passou por uma grande reabilitação entre 1984 e 1990, que alterou muito a originalidade da casa e causou e causa muita controversia.

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A fachada da casa tem formas onduladas, bem típicas do modernismo e da obra de Gaudí. Também conta com o uso do ferro forjado e do trencadís e inscrições religiosas. No alto da fachada podemos ler a inscrição: Ave gratia plena dominus tecum. Esta mesma inscrição a vemos no alto da fachada da La Pedrera. Outra coisa que chama muito atenção na fachada da Can Negre é a grande janela no centro, que se assemelha muito a uma carruagem e que parece confirmar a mudança de casa camponesa para casa aristocrata. Eu gostei muito da decoração com uvas que Jujol colocou na fachada da casa, lembrando que o dinheiro da reforma era originario da venda do vinho feito com a uva ali plantada.

Detalhe das uvas

Detalhe das uvas e também da antiga masía

Porta dentro da Can Negre

Porta dentro da Can Negre

Can Tinturé

Terminada a visita na Can Negre pegamos as bicicletas e fomos em direção a cidade de Esplugues para conhecer a fábrica de cerâmica que forneceu cerâmica para as casas modernistas da Catalunha e de onde Gaudí tirou mais de 12 mil azulejos para fazer os bancos do Park Güell. Confesso que a pedalada foi forte, mas quando chegamos lá fomos recebido com muito carinho por Roser Vilardell, quem fez uma super visita guiada com a gente, e por Marina Pons e Isabel Vilaseca. A Can Tinturé é um museu dedicado a história e a evolução do azulejo e o acervo pertencia ao colecionador Salvador Miquel. Fiquei encantada, porque Salvador era um apaixonado por azulejos e começou sua coleção com peças que ele pegava nos escombros das casas derrubadas na Barceloneta. Vale muito a visita a este museu. A visita a Can Tinturé no estava no programa, mas gostei tanto quando elas me contaram o que era que fiz questão de ver.

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La Rajoleta

Quando entrei no museu La Rajoleta senti uma emoção muito forte. Pensei: todos os azulejos que amo e vejo nas casas modernistas de Barcelona saíram daqui! Eu estou circulando por entre os fornos que Gaudí, Domenech i Montaner, Puig i Cadafach e Jujol circularam! Meus pelos de historiadora se arrepiaram. A visita a La Rajoleta é um passeio pela história da fabricação dos azulejos. Ao visitar os fornos vamos descobrindo o processo de fabricação das peças que enfeitaram e enfeitam os edifícios modernistas, vamos conhecendo também o dia a dia da fábrica e também como era a vida dos trabalhadores da La Rajoleta. Uma vida dura, com muito calor provocado pelo fogo dos fornos. Adorei saber que os azulejos brilhantes, que vemos nas casas modernistas, não tinham este aspecto pela pintura e sim por uma técnica de cozimento da cerâmica. 

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Forno por dentro

Forno por dentro

Ao terminar a visita na La Rajoleta, Eu e o David fomos até a rua Montserrat, que fica atrás da Can Tinturé. Nesta rua, com ar de Toscana, foi filmado uma parte do filme Vick Cristina Barcelona, de Woody Allen. A rua e suas casinhas foram cenário da oficina do artista que Juan (Javier Bardem) levou a Cristina (Scarlett Johansson) para conhecer.

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Torre de la Creu

A casa Torre de la creu também é conhecida também como casa dos ovos, pela forma e pelas torres do alto. Ela fica a 4 minutos a pé da Can Negre e a visitada, infelizmente, tem que ser feita por fora. A Universidade de Barcelona, que tem uma escola de idiomas no local, cobra 75 euros pela visita interna. Fora de cogitação, né?!

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Jujol construíu a casa entre 1913 e 1916 para Josefa Romeu i Grau de Gibert, sua tia. A casa ia ser a residência de verão da família. Naquela época Sant Joan Despí tinha muitas casa de veraneio de família burguesas de Barcelona. A tia deu total liberdade ao sobrinho arquiteto e só exigiu que fosse duas casas similares para cada um dos filhos. A casa parece um bolo de noiva por suas formas circulares, são cinco corpos cilíndricos que abrigam os cômodos da casa e as escadas.

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A Parte mais interessante da casa é o telhado, coroado por cúpulas de diferentes formas e alturas que chama a atenção. Elas estão cobertas por mosaico de cores verdes, azul, marrom e amarelo que provocam um bonito contrates com o céu azul e o branco das paredes. As paredes externas da casa parecem que foram cobertas por glacê de bolo. Na torre mais alta vemos o M de Maria e também uma cruz, que dá o nome a casa: Torre da cruz.

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Inscrição religiosa: ave Maria ave.

Inscrição religiosa: ave Maria ave.

Este passeio é uma proposta de bate e volta deste Barcelona super diferente. É tipo de coisa que ninguém faz e, com certeza, você vai amar o passeio. Você nem precisa de um dia todo para fazer-lo. Sant Joan Despí e Esplugues ficam super perto de Barcelona

Como chegar:

Bicicleta:

A rota que fiz começa na Diagonal, na Zona Universitária, contorna o parque cervantes e entra em Esplugues. Fomos até a Can Negre, que era onde começava a primeira visita, e voltamos a Esplugues para ir a La Rajoleta.  Voltamos para Barcelona em tram porque já estavamos cansados, mas é possível voltar em bicicleta. Você pode montar uma rota de bicicleta através do google maps. Na foto a rota inicial.

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Trem:

Linha R4, direção Martorell. Pegar em Sants Estació, Plaza Cataluña o Arc del Triunfo. Descer na estação Sant Joan Despí, está em frente a Torre de la Creu.

Tramvía:

Pegue o tramvía na Diagonal, na parada Francesc Macià, desça na parada Bon Viatge para visitar a Can Negre. Para ir a La Rojaleta desça em Pont d’Esplugues. A Ruta del Tram, uma proposta de passeio promovida pelo Turisme Baix Llobregat. Você só vai precisar de um T -10, o mesmo que é usado para circular em transporte público por Barcelona.

Se você quiser encarar a rota de bicicleta que eu fiz, aqui tem o mapa:

Organizando as visitas:

Can negre:

Visita guiada: último domingo do mês

Hora: 11 h

Valor: 6 euros

Visita sem guia: valor: 2,60

Horario:

Segunda a sexta: 10 a 13 h

Segunda a quinta: 17:30 a 20 h

Domingos: 12 a 14 h

Can Tinturé:

Visita guiada: todos os domingos – 12h

Valor: 3 euros

Visita guiada Can Tinturé + La Rajoleta: 4 euros

Horário visita normal:

Terça a domingo e feriados: 0 a 14h.

Quarta e sábados: 16.30 a 20h

Valor: 3, 50 por pessoa

La Rajoleta:

Visitas guiadas: Domingos às 11h e às 13h.

Valor: 3 euros

Fazer reserva através do telefone: 930470 02 18

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